sábado, 25 de agosto de 2007

EDUCAÇÃO INFANTIL

Escolarização e brincadeira na educação infantil
Tizuko Morchida Kishimoto Professora Titular da Faculdade de Educação da USP
Nos tempos atuais, as propostas de educação infantil dividem-se entre as que reproduzem a escola elementar com ênfase na alfabetização e números (escolarização) e as que introduzem a brincadeira valorizando a socialização e a re-criação de experiências.
No Brasil, grande parte dos sistemas pré-escolares tende para o ensino de letras e números excluindo elementos folclóricos da cultura brasileira como conteúdos de seu projeto pedagógico. As raras propostas de socialização que surgem desde a implantação dos primeiros jardins de infância acabam incorporando ideologias hegemônicas presentes no contexto histórico-cultural.
Pretende-se analisar o papel da cultura como elemento determinante do modelo de escola que prevalece, na perspectiva da nova sociologia da educação, como a de Forquin( 1996), adotado por Apple (1982, 1979, 1970) e Moreira e Silva ( 1994) subsidiando pesquisas no campo de currículo.
Fatores de ordem social, econômica, cultural e política são responsáveis pelo tipo de escola predominante. Desde tempos passados, a educação reflete a transmissão da cultura, o acervo de conhecimentos, competências, valores e símbolos. Não se pode dizer que a escola transmite o patrimônio simbólico unitário da cultura entendido na acepção de sociólogos e etnólogos, como o conjunto de modos de vida característicos de cada grupo humano, em certo período histórico ( Forquin,1996, p.14). O repertório cultural de um país, repleto de contradições, constitui a base sob a qual a cultura escolar é selecionada. Ideologias hegemônicas, fruto de condições sociais, culturais e econômicas tendem a pressionar a escola pela reprodução de valores nelas incluídas moldando o tipo de instituição. Os conteúdos e atividades escolares que daí decorrem resultam no perfil da escola e , no caso brasileiro, geram especialmente pré-escolas destinadas à clientela de 4 a 6 anos dentro do modelo escolarizado. http://www.fe.usp.br/laboratorios/labrimp/escola.htm

2 comentários:

ROSELI J FÜHR disse...

Oi Fátima, a questão do Currículo nas EMEIs, é uma preocupação que me acompanha há algum tempo. Um dos questionamentos que não calam em minha consciência é que entre as opções e focos pedagógicos, quando eles serão crianças? Quando terão liberdade? Entre letras e números, perderam o direito de subir numa árvore, sujar-se na lama, correr no campo. Já ouvi várias críticas a esta minha fala, mas enfim é o que me perturba. A tua reflexão é pertinente, é atual e muito importante. Parabéns pela escolha. Beijos, Roseli Führ.

Roseli Hoffmeister Eberhardt disse...

Olá Fátima!
Este é o primeiro ano em que trabalho com Etapa um, percebo como é importante para nossas crianças terem sua hora de
conversar, trocar idéias, escolher o que fazer, opinar sobre como realizaremos a atividade do dia e o principal, ter sua hora para brincar. Percebo que o momento mais esperado por meus alunos é a hora de brincar.
E quem disse que brincando não se aprende?
Um abraço,
Rose