quinta-feira, 23 de agosto de 2007

NOVELAS

A participação de meninos e meninas na teledramaturgia brasileira não é nenhuma novidade, mas o que chama a atenção é o papel que eles historicamente vêm desempenhando nas tramas.

Em 2004, uma equipe de pesquisadores brasileiros do curso de Pós-graduação em Ciências da Informação e da Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participou da elaboração do estudo latino-americano Conocer para Intervenir - Infancia, Violencia y Medios, coordenado pela Oficina Internacional Católica de La Infância (BICE), localizada em Montevidéu, no Uruguai.

O grupo do Brasil analisou de que forma a imprensa retratava o universo infantil. Entre os produtos analisados estavam três telenovelas da Rede Globo: “Chocolate com Pimenta”, de Walcyr Carrasco, “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro, e “Celebridade”, de Gilberto Braga.

De uma forma geral, o estudo concluiu que as crianças estão presentes nas telenovelas apenas como suporte para dar ainda mais “candura à trama”, já que em diversas cenas elas não tecem nenhum comentário e sequer participam da ação principal.

A pesquisa também destacou que as crianças estão, na maioria do tempo, subordinadas aos personagens adultos com os quais contracenam. Em nenhum momento é mostrado o ponto de vista infantil, “dando a entender que as crianças são atores passivos, não tendo nem nome mencionado em grande parte das cenas, sendo identificados por apelidos”.

O levantamento, ao analisar cada uma das três novelas, afirmou ainda que as obras retratam uma infância vítima e dependente física e emocionalmente dos adultos: “Os temas abordados mostram os personagens infantis submetidos a uma relação de poder que os adultos exercem sobre eles”.

Nenhum comentário: